Destruindo um templo

Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”(1 Co 6:19).
No sexto capítulo da primeira carta de Paulo aos Coríntios o apóstolo Paulo está exortando os crentes daquela localidade sobre o cuidado que deveriam ter com eles mesmos, não se entregando à imoralidade. Lembrando que o corpo dos que foram resgatados pelo Sangue do Cordeiro é considerado templo de Deus.
Fico imaginando o que diria Paulo se vivesse nos dias de hoje. Se pudesse andar por nossas ruas e avenidas e ver a banalização do corpo humano, como ele é usado para os mais diferentes fins, muitos inescrupolosos.
E também como é fácil para nós estragar esse corpo!
Há uma música de melodia bem agradável, chamada “Catedral”, composta por Tanita Tikaran e interpretada por Zélia Duncan. Em determinado momento da música encontra-se o verso:
“No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei, vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar”
Não sei em que a compositora estava pensando quando escreveu a música, mas é até interessante imaginar que faz sentido essa “catedral”, esse “templo” na pessoa que profere essas palavras transformando-a em imortal. Ao menos do ponto vista do versículo acima, pois o espírito do que foi nascido de novo, do que foi salvo pelo sacrifício de Cristo não morre, mas vive eternamente com Ele na Glória.
E é incongruente que quem tem a conciência de que é, então, morada do Espírito Santo, não zele pelo seu corpo.
Entregar-se a práticas que atentem contra a sua saúde é, portanto, inaceitável. Drogas, práticas lascivas, excesso de álcool… é fácil concordar com essa parte, não?
Mas o que me dizem de outras práticas tão corriqueiras e normais em nosso dia-a-dia que também fazem mal ao corpo e nem por isso nos preocupamos com elas?
Quais são? Vejamos alguns exemplos: excesso de exercícios físicos, ou a falta deles! Excesso de trabalho, de forma a prejudicar o descanso, que aliás é ordenança de Deus, (o Senhor ordena que trabalhemos para nos sustentar, mas que também desansemos para repor as energias).
E as comidas? Humm… Elas são um perigo! Óbvio que os vícios em refrigerantes, em frituras e até ser vegetariano radical fazem mal, umas de forma mais rápida e outras de forma mais lenta. Contudo, os hábitos alimentares modernos, em sua maioria, desbalanceados, também prejudicam o corpo. Comer mal, com o tempo, significa condenar o corpo a problemas diversos. como a obesidade, a hipertensão e outros males conteporâneos.
Daí alguém pergunta: é pecado comer errado?
Eu diria que é errado não zelar pela saúde. Muitas vezes somos legalistas e agimos como fariseus condenando veementemente os vícios, alcoolismo, drogas, sexo livre, e nos esquecemos de olhar para questões mais sutis como a glutonaria. Todos eles são condenáveis.
Confesso que comer é uma das coisas que me dão mais prazer, e que eu sou um dos primeiros que deve observar os cuidados com os excessos e com o desequilíbrio alimentar.
Já comecei a colher os frutos pouco saborosos de uma vida sedentária. E só Deus é capaz de me dar forças para mudar meu estilo de vida.
Há recomendações bíblicas explícitas sobre a aplicabilidade do nosso corpo:
Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.” (Rm 6.12-13)
É fácil destruir esse santuário. É bem mais difícil mantê-lo em bom estado de conservação. Devemos glorificar a Deus com nosso corpo, não entregá-lo às impurezas, como descrito por Paulo em 1 Coríntios 6. Esse corpo é finito, corruptível, mas nem por isso podemos estragá-lo!
*Enos Moura Filho é Presbítero
na 1° Igreja Presbiteriana de Guarulhos-SP
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